Luana Rabello
sexta-feira, 9 de março de 2012
Texto: Menina do coração de pedra.
Menina do coração de pedra, do corpo de armadura de ferro, do sorriso apegado as meras lembranças do passado, do olhar que procura enfatizar as dores e sofrimentos que já passastes, das pernas finas e frágeis que já caminharam muito pelas estradas da vida e que hoje tem dificuldade para lhe manter de pé. Menina das palavras que não hesitam em serem ditas, saem de ti como foguetes sem direção, apenas com o propósito de acertar um alguém qualquer. Pena tenho deste, confesso, que mesmo não tendo nada a ver com o que tem acontecido com a pequena é alvo de suas palavras grossas que incessanmente o atingem, de modo injusto, é claro. Menina dos braços nus e contidos de poucos pêlos, mas que já carregaram tamanho peso. Os mesmos braços que levantaram o que hoje tenta lhe derrubar. Os mesmos braços que carregaram tuas pequenas malas até a estação de trem quando decidiu partir. Braços, estes, que abraçaram fortemente aquele rapaz do rosto bonito, cabelos negros, olhar marcante e sorriso sincero. Grande era o desejo de que seu corpo nunca se descolasse do dele. Corpo este que era de aparência fraca, franzina, mas pouco lhe importava, pois era o rapaz que fizera seu coração bater mais forte. Rapaz que ficou calado enquanto aos berros dizia que iria partir para nunca mais voltar, o mesmo rapaz que não procurou ouvir os sussurros da sua alma que diziam: "querido, eu vou embora sim, mas por favor venha comigo". Menina que tem sido como herbicida, tens destruído as ervas daninhas que procuram tomar conta do teu ser e destruir o pouco de esperança que ainda lhe resta. Aprendeu sozinha a ser forte, travou batalha com a vida. Um orgulho imenso a invadia quando percebia que havia ganhado, orgulho maior ainda mesmo quando havia perdido tinha certeza de que havia tentado e dado tudo de si. Aprendeu também a procurar ela mesma nas respostas para suas perguntas. Não pediu conselhos, muito menos buscou palavras de conforto em um livro ou uma musica, havia entendi que as respostas estavam dentro de si. Dava então inicio a escavação da própria alma. Cavava fundo em busca de respostas e quando encontrava sabia que o buraco talvez nunca mais pudesse ser fechado. Viraria então este buraco uma cicatriz. Hora doía, hora coçava, hora a fazia perceber que para alcançar o que ela tanto queria teria que passar por estes testes que vida lhe impôs. Menina que hoje com dificuldade escreve esse texto, em segunda pessoa, contando uma história como se não fosse a dela mesma.
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